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IV – Poesia


Há quase dois anos estamos aprendendo a viver com uma ameaça que parece ter vindo para ficar. Embora aparentemente “nova”, o mal constante que ela vem causando já nos dá uma sensação de algo “velho”, que continua, mas que já deveria ter ido embora.

Diferentemente de muitos ciclos gripais, a Covid-19 não aponta para um fim, mas, talvez, um controle por parte dos seres humanos, a partir do avanço de vacinas e medicamentos.

A comprovação do que digo vem de fatos cotidianos, que se espalham até mais rápido do que a própria doença, por meio de notícias que alcançam todos os extremos do globo. O vírus da Covid-19 continua a fazer estragos e como impõe a própria “evolução” ele segue seu processo de adaptação.

Já são muitas as variantes, mas, depois da chamada Delta (indiana), a Ômicron é a que mais assusta, devido ao poder de propagação ainda não visto. A nova variante já varreu alguns países da África, e, rapidamente, um novo sinal de alerta mundial foi acionado.

Novos “lockdowns” na Europa, restrições e monitoramento de voos, preocupação no deslocamento de pessoas. O mercado reagiu instantaneamente, com já era de se esperar. Empresas ligadas à mobilidade e ao setor de turismo sentiram de pronto o impacto.

Mais do que representar uma continuidade da ameaça, embora não saibamos ainda o grau de letalidade, a nova variante da Covid-19 reforça a ideia de que o vírus veio para ficar. Como ele vai se amoldar, enfraquecendo-se para sobreviver, ou se vamos ter o poder de controlá-lo, o tempo dirá.

Seremos testemunhas de um dos fatos mais importantes na história da humanidade. Uma página que certamente estará nos livros da história, da geografia, da medicina…

Certamente uma parte dessa página estará reservada à insensatez e indiferença percebida em muitos, alguns dos quais deveriam levantar a bandeira dos cuidados necessários.

Estamos subestimando o vírus? Ao que me parece sim. Tal como fizemos no início da pandemia, em que tudo “não passaria de um resfriadinho”. Milhões em todo mundo, 615 mil no Brasil. Nunca um “resfriado” fez tantas vítimas fatais.

A falta de empatia é geral e eleva a arrogância daqueles que mais uma vez apontam para uma postura que faz “pouco caso” do vírus. Festas de réveillons estão confirmadas, carnavais programados. Na minha modesta opinião, foi este um fator disseminador da doença em nosso país.

Não seria o momento de redobrarmos os cuidados, pensar novas formas de levar vacina a todos, assegurar que a população esteja imunizada e disseminar ainda mais os cuidados necessários para conter a contaminação?

Quase dois anos se passaram e parece ainda estarmos carentes de uma política pública eficaz, que garanta tranquilidade e segurança para que a população possa seguir sua vida, com o mínimo de normalidade.

Sei que a vida deve continuar. Entendo isso perfeitamente, pois já perdi alguns daqueles que amo. Mas entendo que seja momento para festas, aglomerações desmedidas que podem ser evitadas. Não agora.

A ciência avançou como nunca, trouxe um antídoto que tem atendido à demanda, mas ainda estamos diante de um abismo sem precedentes e sem qualquer perspectiva do que está logo à frente.

Eis a razão pela qual devemos pregar a parcimônia e a manutenção das precauções relacionadas à Covid-19. Mesmo diante do arrefecimento, aqui no Brasil, vidas ainda são perdidas todos os dias.

Sou devoto, portanto, de que devemos aprender com a história, para não repetirmos os erros do passado. Diga-se, o Carnaval brasileiro constitui uma das maiores festas do calendário mundial, atraindo milhões de pessoas de todo o mundo, o que pode potencializar a transmissão da nova cepa da doença.

Sigamos cautelosos e precavidos. Que os discursos proferidos outrora não tenham servido apenas a conveniências momentâneas e que a vida continue sendo colocada em primeiro lugar.

 

Osmar Gomes dos Santos. Juiz de Direito da Comarca da Ilha de São Luís. Membro das Academias Ludovicense de Letras; Maranhense de Letras Jurídicas e Matinhense de Ciências, Artes e Letras.