*Por Osmar Gomes dos Santos
O Brasil literalmente parou no fim da tarde da última segunda-feira (18) para acompanhar o evento realizado pela CBF, cuja principal atração foi a convocação dos jogadores que disputarão a Copa do Mundo de 2026.
Mesmo as pessoas mais alheias ao futebol pararam para acompanhar e discutir com amigos e familiares a escalação anunciada pelo técnico Carlo Ancelotti.
Alguns nomes não causaram espanto, dada a frequência com que vinham sendo convocados e o desempenho apresentado em seus clubes. Outros, no entanto, configuraram verdadeiras surpresas.
Fato é que nenhum nome foi tão comentado nas últimas semanas quanto o de Neymar. Rodas de conversa, bate-papos em Uber e redes sociais foram infestados de analistas, palpiteiros e apostadores. Contrariando a lógica de muitos, o jogador foi anunciado e segue para sua quarta Copa do Mundo.
O próprio Ancelotti tocou no assunto algumas vezes, sem alimentar expectativas sobre a convocação, apresentando justificativas coerentes e plausíveis. Mas o que o fez mudar de ideia?
Como amante do bom futebol (tema que sempre estará presente em nossas rotinas) lancei-me a analisar tal convocação sob dois prismas, sem qualquer pretensão de emitir julgamento conclusivo.
No primeiro caso, é inegável que o jogador possui enorme peso. Já foi o atleta mais caro do planeta, tem estrela própria e representa uma marca que movimenta cifras milionárias. Mantém bom relacionamento com o grupo e ainda é referência para muitos que integram a equipe do técnico italiano.
Nessa seara, sua presença pode ser positiva e influenciar emocionalmente a equipe, promovendo uma sinergia capaz de elevar o moral do grupo.
Outro ponto a se considerar é o impacto sobre as seleções adversárias, visto que Neymar ainda é um jogador cujo talento inspira respeito e exige atenção especial dos oponentes.
Sob outra perspectiva, entretanto, a convocação parece controversa, pouco lógica e desalinhada ao padrão aplicado em outros casos. Neymar não era convocado para a Seleção Brasileira desde 2023 e, portanto, esteve distante do chamado “ciclo” do técnico italiano.
Isso remete a um conceito bastante comum no futebol: o “momento”. E a fase atual de Neymar está muito distante daquela condição extraordinária que viveu durante boa parte da carreira.
Ainda assim, mesmo vindo de lesões e de poucas partidas disputadas, o jogador continua sendo uma referência para os companheiros, dentro e fora de campo, o que repercute positivamente entre os atletas e reafirma a confiança do torcedor brasileiro.
Como se tem ouvido daqueles que realmente conhecem o futebol por dentro, a exemplo de Ronaldo, Romário, Luiz Felipe Scolari, Vanderlei Luxemburgo, Zidane, Denílson e tantos outros, quando se tem um craque, não se pode abdicar dele. Sua simples presença em campo é capaz de fazer a seleção adversária tremer, exigir marcação especial e, consequentemente, abrir espaços para outros jogadores brasileiros se movimentarem. E mais: a qualquer instante pode surgir a jogada mágica com potencial para decidir uma partida.
Portanto, Neymar Júnior tem, sim, lugar na nossa Seleção.
Independentemente de polêmicas, opiniões contrárias ou favoráveis, fato é que, em junho, estaremos todos comemorando e torcendo pelos onze que entrarem em campo.
*Osmar Gomes dos Santos é Juiz de Direito na Comarca da Ilha de São Luís (MA) e presidente da Academia Ludovicense de Letras. É membro da Academia Ludovicense de Letras, da Academia Maranhense de Letras Jurídicas, da ALMA – Academia Literária do Maranhão e da AMCAL – Academia Matinhense de Ciências, Artes e Letras.






