*Por Osmar Gomes dos Santos
Há alguns meses tenho acompanhado com atenção os rumos adotados pelas grandes potências, especialmente no que se refere à política armamentista e ao crescente acirramento das tensões.
Escritos que apontavam para “democracias autoritárias”, discursos nacionalistas e conflitos, tal qual vieram a ocorrer e se intensificaram nos últimos meses. As polarizações e ações extremadas dão o tom de uma relação em que o diálogo e a tolerância se tornaram as primeiras vítimas.
Acontecimentos recentes marcaram a cena mundial, colocando os Estados Unidos no centro do mundo, todavia não como pretendia seu principal líder, o presidente Donald Trump. Tarifaço, captura de Maduro, ameaça à Groenlândia e ataques contra o Irã foram episódios marcantes no cenário recente.
A abertura do front no Oriente Médio foi o ponto alto, pelo menos até o momento, da política de relações internacionais dos Estados Unidos frente a outras nações. É bom que se diga: nada é por acaso, tudo tem seu propósito.
O conflito com o Irã, que recebeu apoio direto de Israel, expôs muitas questões, dentre elas a falta de habilidade diplomática e a constatação de que não há guerra fácil. Mesmo com superioridade militar, o avanço bélico emperrou.
A estagnação não reflete necessariamente incapacidade do poderio militar americano, sabidamente o maior e mais moderno do mundo, mas tem a marca dos impactos já previsíveis por muitos, que não foram considerados por Trump e seus aliados.
Sem pretender qualquer afirmação insensata, toda guerra precisa de um propósito claro, ainda que possa parecer banal. Pensar diferente é posicionar a capacidade de compreensão no lado mais inócuo da nossa capacidade inteligível.
No entanto, no conflito atual, denota-se não haver um motivo real, seja ele histórico ou conjuntural, econômico ou social. Talvez não tenha passado de um capricho sórdido, que foge a uma racionalidade minimamente razoável.
Contudo, se há algo de positivo que a Segunda Guerra nos deixou, quando terminou em 1945, foram as lições.
A sensatez de muitos em intervir para que o conflito seja cessado parece ter arrefecido o motor bélico dos Estados Unidos. Barreiras que levaram a um consenso lógico pela suspensão da guerra, acordo capitaneado pelo Paquistão, com articulação de outras nações.
Tal articulação veio a calhar com as críticas à postura de Trump quanto ao uso da força, dentro e fora do território americano.
O custo financeiro, os abates de aeronaves ultramodernas, a resistência do Irã além do imaginado, o impacto negativo na economia global, a falta de apoio internacional, o desgaste político interno e a elevada reprovação dos próprios americanos fizeram o presidente da maior nação recuar.
Daí porque afirmo ter acabado a pólvora. Não aquela dos canhões, mas o capital político, elemento tão necessário em uma disputa internacional. Apoio que não existiu justamente por não haver um componente razoável que justificasse a guerra.
As tensões seguem no ar, especialmente por não incluir o Líbano, que seguiu sendo atacado. Isso denota um cessar-fogo ainda frágil, apesar de necessário.
A pólvora, agora diplomática, segue com o Paquistão e aliados, que tentam promover rodadas de negociação efetivas, com condições devidamente amarradas, para que o front não seja reaberto.
No entanto, pelo histórico recente, qualquer acordo não será suficiente para eliminar as tensões, talvez apenas arrefecê-las.
O caminho para a paz vai mais além e certamente não passa pelas armas. A grande questão a se discutir nesse contexto é até que ponto cada lado está realmente disposto a gastar a pólvora que lhe resta, seja aquela do diálogo, seja aquela que municia os canhões.
*Osmar Gomes dos Santos é juiz de Direito na Comarca da Ilha de São Luís, no Maranhão.
Membro das Academias Ludovicense de Letras, Maranhense de Letras Jurídicas, da ALMA, Academia Literária do Maranhão, e da AMCAL, Academia Matinhense de Ciências, Artes e Letras.




