*Por Osmar Gomes dos Santos
Vivemos em uma era atravessada pela inteligência artificial, aprendizado de máquina e a conectividade incessante da internet das coisas. Processos robotizados que nos afastam do contraditório, dos debates e nos transportam para longe de nós mesmos e daqueles ao nosso redor.
No entanto, em meio a essa revolução tecnológica, é essencial fazermos uma pausa e olharmos para o que realmente nos sustenta como espécie: a inteligência emocional. Sim, isso é possível e a chave para a porta que se conecta com o eu e o mundo real se chama inteligência emocional.
Essa capacidade ou habilidade intelectual vai para além do ambiente corporativo, educacional, religioso. Ao mesmo tempo, está em todos os lugares e contribui para a perfeita harmonia, como um fator de alinhamento dos astros.
Como um fio invisível que harmoniza o universo, ela conecta o indivíduo consigo mesmo e com os outros, permitindo uma convivência mais consciente e sustentável. É o alicerce que equilibra nossas relações e nos permite enfrentar os desafios da existência humana.
É um tema que se conecta com todas as vertentes de nossas vidas, dada ao fato de que a inteligência emocional possibilita compreender as próprias emoções, enxergar e entender o próximo em um nível elevado e utilizar essa compreensão para estabelecer um comportamento adequado perante a realidade fática, diante das complexidades da vida.
Não é algo inato, que se tem umbilicalmente desde o nascimento, mas algo que é desenvolvido ao longo da formação da personalidade, do caráter. Pode ser aprimorada a cada dia, por meio de técnicas, estudos e o esforço em desenvolver-se como ser humano. Palavra-chave: autoconhecimento.
Diferentemente da inteligência artificial, do processamento de dados frios impossíveis de serem sentidos, a inteligência emocional é o que nos torna verdadeiramente humanos, que nos reporta, por exemplo, a tomarmos consciência coletiva positiva para o desenvolvimento sustentável.
Ela nos possibilita construir sociedades mais justas, identificando o que nos afeta coletivamente e guiando-nos para decisões mais equilibradas e responsáveis. É a empatia que nos alerta sobre os impactos de nossas ações e que nos move em direção ao bem-estar comum.
Isso porque somente com empatia, é possível ter a compreensão daquilo que é danoso e que afeta a todos indistintamente. Uma habilidade social, construída nas relações cotidianas e que pode direcionar o pensamento e o comportamento para manutenção de um futuro comum.
Enquanto a inteligência artificial nos oferece conveniência, a inteligência emocional nos ensina a sair das bolhas do individualismo e do automatismo, incentivando o desenvolvimento de um pensamento crítico e colaborativo. Por isso a importância de desenvolvê-la a cada dia.
Ela fortalece a comunicação, amplia nossas redes de interação e nos capacita a lidar com crises e conflitos de maneira mais consciente e estratégica.
O equilíbrio emocional nos afasta da preguiça e permite a reflexão, promovendo o raciocínio lógico e, portanto, estabelece relações de causas e consequências. Reforça a comunicação, ampliando redes de interação nos mais diversos ambientes: familiar, laboral, religioso.
Conflitos e crises podem ser solucionados quando a emoção dá lugar à razão e o agir abruptamente dá lugar ao agir considerando as mais diversas possibilidades. Causa e consequência. Sim, exatamente isso, razão no lugar da emoção.
Ao analisar o comportamento humano de nosso tempo, convenço-me de que o futuro da nossa espécie não será definido pela capacidade das máquinas, mas pela maturidade emocional que desenvolvemos para viver em sociedade, tomar decisões e construir um mundo mais sustentável e equilibrado.
Juiz de Direito da Comarca da Ilha de São Luís. Membro das Academias Ludovicense de Letras, Maranhense de Letras Jurídicas, ALMA – Academia Literária do Maranhão e AMCAL – Academia Matinhense de Ciências, Artes e Letras.